As temperaturas negativas que foram registradas esta semana não trouxeram apenas belas paisagens e turistas para Santa Catarina. A realidade é bem diferente e sofrida para quem não tem cobertor suficiente ou lenha pra aquecer a casa nos dias geladosUm dos principais assuntos desta semana foi a histórica onda de frio que atingiu sete países da América do Sul, entre eles, o Brasil. Turistas de todo o país invadiram as serras Catarinense e Gaúcha em busca de temperaturas baixas e do fenômeno mais esperado do inverno, a neve. Mas, se a neve não deu o ar da graça, pelo menos os termômetros registraram os números mais baixos dos últimos anos, chegando a -7,8ºC na quarta-feira, em Urupema, deixando os campos cobertos pelo gelo.As temperaturas negativas que foram registradas esta semana não trouxeram apenas belas paisagens e turistas para Santa Catarina. A realidade é bem diferente e sofrida para quem não tem cobertor suficiente ou lenha pra aquecer a casa nos dias gelados.
Para os turistas, a rede hoteleira e o comércio, perfeito. Mas e para quem não pode se hospedar em um bom hotel, não tem sistema de aquecimento em casa ou sequer roupas ou cobertas suficientes, será que o frio é tão bonito e empolgante assim?
É triste ouvir a história de gente como a aposentada Antonia Alves dos Santos, 72 anos. Moradora do Bairro Madre Paulina, um dos mais pobres de São Joaquim, cidade de 25 mil habitantes, ocupada por 100 mil visitantes todos os invernos e que, nesta semana, registrou temperaturas negativas, Antonia é um exemplo de quem sofre com o frio.
Ela mora com uma filha em uma casinha de madeira construída à beira de uma rua de terra. Frestas nas paredes e uma cobertura pouco reforçada fazem o vento gelado entrar com força no pequeno imóvel. Os pés calçando chinelos de borracha em um dos dias mais frios do ano dão o tom das necessidades de Antonia.
Remédio pode até faltar, mas a lenha, não
Aposentada, ela recebe um salário mínimo por mês, mas paga R$ 100 por um empréstimo feito no banco para construir a casa, onde mora há 16 anos. Os R$ 410 que sobram são usados para pagar as despesas básicas, comprar comida e lenha, produto que falta com frequência por ser caro.
Uma carga para durar duas semanas, mesmo que bem racionada, custa cerca de R$ 120. Ou seja, por mês, Antonia gasta, em média, metade da sua renda só com lenha. Sem a madeira queimando no fogão, é praticamente impossível sobreviver ao – neste caso, terrível – inverno joaquinense.
– Muitas vezes, eu deixo de comprar remédio para comprar lenha. Sem remédio eu até vivo, mas sem lenha não dá – conta.
No começo da tarde de ontem, Antonia olhava com tristeza para uma caixa de papelão onde restavam os últimos paus de lenha. Ela sabia que, mesmo economizando, todos precisariam ser queimados ainda ontem. Assim, o frio ficaria ainda mais cruel, e as poucas roupas e cobertas seriam insuficientes para fazê-la dormir com o mínimo de conforto e dignidade.
Antonia até fala com bom humor sobre o seu drama, mas admite que o frio tem poder de fazê-la chorar facilmente. E para isso, não precisa muito. Basta a meteorologia prever e a imprensa divulgar que amanhã será um dia muito frio.
– Se eu pudesse, faria o frio ficar bem longe da minha vida.
POR: PABLO GOMES
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3 comentários:
Nossa que triste. Lamentavel pensar que muita gente tb morre de frio...triste,muito triste. Grças a Deus que nós temos um teto, uma casa quentinha e nada nos falta.
Beijocas
Muito triste mesmo!
Amiga, vc está sumida! Por onde anda?
Beijos com saudades.
http://tagarelicesepensamentos.blogspot.com/
Oie tudo bem???
estou sentindo sua falta...
bjs
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